sexta-feira, 31 de julho de 2009

Endeavour landing 7/31/09

Space shuttle Endeavour touched down at 10:48: a.m. EDT. at NASAs Kennedy Space Center in Florida. Commander Mark Polansky is expected to make a brief statement on the runway after the post-landin...

Ver:

Endeavour aterra depois de onze dias na Estação Espacial Internacional:

...


Os seis tripulantes mais o astronauta Koichi Wakata, o primeiro japonês a viver no espaço que esteve na ISS durante mais do que quatro meses, chegaram à base do Cabo Canaveral às 16h48 (hora de Lisboa).


Durante os onze dias que estiveram na ISS a tripulação instalou a última parte do laboratório japonês Kibo – uma plataforma para telescópios e para outras experiências científicas –, trocaram baterias solares que mantêm a energia da estação e deixaram peças sobresselentes que a ISS pode necessitar no futuro.


Durante o regresso, Wakata ficou deitado no vaivém para se adaptar à gravidade terrestre. O astronauta japonês foi muito elogiado durante a despedida. “Ele é dedicadíssimo e é um muito, muito bom engenheiro de aeronáutica”, disse o cosmonauta russo e comandante da estação Gennady Padalka. Para além do seu trabalho científico e de rotinas de manutenção, o japonês testou umas cuecas capazes de absorver água e de matar bactérias. “Usei-as durante um mês e nenhum dos meus companheiros se queixou”, disse ontem. “Por isso acho que a experiência correu bem.”


À chegada, o comandante do vaivém, Mark Polansky, agradeceu a Houston pela felicitação. “É mesmo isso que é importante. Estamos felizes por estar em casa.”

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Hidrocarbonetos nas profundezas da Terra

In "Agência FAPESP":

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Experiencia feito nos Estados Unidos demonstra que o etanol e outros hidrocarbonetos mais pesados podem ter se formado em camadas profundas do interior da Terra, sem a presença de matéria orgânica.

Agência FAPESP – A origem do petróleo e do gás natural está em organismos vivos que morreram, foram comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre. A ciência tem especulado durante anos se alguns desses hidrocarbonetos também poderiam ter sido criados, sem a presença de matéria orgânica, em camadas mais profundas do planeta.

Um novo estudo internacional revelou, pela primeira vez, que o gás etano (C2H6) e outros hidrocarbonetos mais pesados podem ter sido sintetizados nas condições de temperatura e pressão do manto superior – a camada localizada entre a crosta e manto que envolve o núcleo da Terra.

A pesquisa, realizada por cientistas do Laboratório Geofísico do Instituto Carnegie, nos Estados Unidos, com participação de cientistas da Rússia e da Suécia, foi publicada neste domingo (26/7) na edição on-line da revista Nature Geoscience.

Enquanto o metano (CH4) é o principal componente do gás natural, o etano é usado como matéria-prima petroquímica. Ambos são considerados hidrocarbonetos saturados, por possuírem apenas ligações simples entre os átomos de carbono e serem saturados com hidrogênio.

Utilizando uma câmara de bigorna de diamante (DAC, na sigla em inglês) e uma fonte de calor a laser, os cientistas submeteram o metano a pressões superiores a 20 mil vezes a pressão atmosférica natural ao nível do mar, com temperaturas variando de 700 C° a mais de 1.200 C°.

Em tais condições, que reproduzem aquelas encontradas no interior da Terra entre 65 e 150 quilômetros de profundidade, o metano reagiu, formando etano, propano, butano, hidrogênio molecular e grafite. Os cientistas, em seguida, submeteram o etano às mesmas condições e o resultado foi a formação de metano.

De acordo com os cientistas, as transformações obtidas sugerem que hidrocarbonetos pesados poderiam existir em camadas profundas da Terra. A reversibilidade implica que a síntese de hidrocarbonetos saturados é termodinamicamente controlada e não requer matéria orgânica.

"Ficamos intrigados por experiências anteriores e previsões teóricas", disse um dos autores do estudo, Alexander Goncharov, do Instituto Carnegie. "Experimentos feitos há alguns anos submeteram o metano a altas pressões e temperaturas, revelando a formação de hidrocarbonetos mais pesados. No entanto, as moléculas não puderam ser identificadas. Nós superamos esse problema melhorando nossa técnica de aquecimento a laser, que nos permitiu aquecer um volume maior de maneira mais uniforme. Com isso, descobrimos que o metano pode ser produzido a partir de etano”, declarou Goncharov.

De acordo com os autores, a hipótese de que os hidrocarbonetos gerados no manto migram para a crosta da Terra e contribuem com a formação de reservatórios de petróleo e gás foi levantada na Rússia e na Ucrânia há muitos anos.

“Será preciso investigar, a partir de agora, a síntese e estabilidade dos compostos estudados nessa pesquisa, assim como a de hidrocarbonetos mais pesados, em toda a gama de condições dentro do manto da Terra. Além disso, será preciso estabelecer em que medida esse ‘carbono reduzido’ sobrevive à migração para a crosta sem ser oxidado, por exemplo, formando CO2”, disse Goncharov.

O artigo de Alexander Goncharov e outros pode ser lido por assinantes da Nature Geoscience em www.nature.com/ngeo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Missão Apollo 11 - 40 anos da chegada do homem à Lua

In "PUBLICO.PT":

As missões tripuladas para a Lua, para Marte, talvez para algum asteróide deverão tornar-se realidade um dia destes. Mas para outras estrelas, outras galáxias?


Sair do sistema solar ainda não faz parte dos planos mais futuristas para viajantes humanos porque as tecnologias que seriam necessárias ainda não existem. Mas isso não impede cientistas mais visionários de tentarem imaginar novas formas de fazer recuar essa fronteira, vencendo o espaço e o tempo. 982694


O grande problema com o Universo é a sua imensidão. Mesmo as sondas Voyager 1 e 2 da agência espacial norte-americana NASA, que descolaram de Cabo Canaveral em 1977, só recentemente (em 2004 e 2007, respectivamente) atingiram a antecâmara dos confins do nosso sistema solar — a zona, situada a uns dez mil milhões de quilómetros do Sol, onde a influência do vento solar começa a esgotar-se para finalmente ceder o lugar ao meio interestelar. 


O grande problema com as naves e sondas espaciais actuais é que são muito lentas. Mesmo a velocidades que a nós nos parecem alucinantes — neste momento, a sonda Voyager 1, o objecto de fabrico humano mais afastado da Terra, é um bólide lançado a 17 quilómetros por segundo —, as Voyager demorariam mais de 70 mil anos a chegar aos subúrbios de Proxima do Centauro, a estrela mais perto do Sol, situada a pouco mais de quatro anos-luz de nós.


O grande problema com as naves tripuladas é, ainda por cima, o seu grande tamanho e peso (as Voyager pesam apenas 700 quilos; já uma nave do tipo da Enterprise da série Star Trek é outra história). E, se se tratasse de uma nave propulsada por motores convencionais, do mesmo tipo que os dos vaivéns norte-americanos, a NASA garante que a matéria do Universo todo não chegaria para fabricar a quantidade de combustível necessária! Claramente, as viagens tripuladas para o espaço extra-solar apresentam obstáculos aparentemente inultrapassáveis de ordem tecnológica. 982695

Mas também não é possível esquecer um outro factor limitativo: o simples (ou, pelo contrário, muito complexo) factor humano, com as suas vertentes éticas, psicológicas, biológicas. Atravessar o espaço durante dezenas de milhares de anos implicaria o nascimento e morte de inúmeras gerações de seres humanos a bordo da nave espacial (a título comparativo, estimase que a nossa espécie tenha surgido na Terra há 200 mil anos), com todas as implicações que isso tem em termos de sustentação alimentar, riscos da permanência prolongada no espaço. A alternativa seria desenvolver tecnologias que pudessem manter os tripulantes num estado de vida suspensa durante toda a viagem.


Para mais, continuando com o exemplo de Proxima do Centauro, viajar para aquela estrela nem sequer constituiria um objectivo adequado, pois ela não tem planetas à sua volta susceptíveis de suportar a vida tal como a conhecemos... Aliás, ainda não foi descoberto nenhum planeta parecido com o nosso em torno de uma estrela. É verdade, porém, que os esforços para procurar “pontinhos azuis” como a Terra têm redobrado nos últimos tempos (nomeadamente com o lançamento pela NASA, em Março deste ano, do telescópio espacial Kepler) e que os especialistas estão bastante optimistas quantos às hipóteses de virmos a encontrá-los. Mas o que isto quer dizer é que será sem dúvida preciso olhar para muito mais longe do que alguns anos-luz de distância para encontrar estrelas que possuam planetas habitáveis.


Quanto a visitar outras galáxias, mesmo as mais próximas da nossa Via Láctea... A galáxia Andrómeda fica a dois milhões de anos-luz de nós: mesmo a luz, a coisa mais rápida que há segundo a Teoria da Relatividade de Einstein (300 mil km por segundo no vácuo), demora dois milhões de anos a cobrir essa distância! E a galáxia anã Canis Major, que está mais próxima de nós do que nós próprios estamos do centro da nossa galáxia, encontra-se apesar de tudo a 25 mil anos-luz do sistema solar, o que ainda é abissal. Parece impossível — hoje, amanhã, ou em qualquer outro dia do futuro próximo ou longínquo — que um ser humano possa percorrer distâncias dessa ordem, vencendo o espaço e o tempo.


Cientistas visionários


Apesar de todos estes factos, nem todos os cientistas estão dispostos a abandonar o sonho. Isto não quer dizer que considerem que as viagens interestelares tripuladas sejam possíveis, mesmo no longo prazo — elas ainda são claramente do domínio da ficção científica. Mas o que signifi ca é que estão dispostos a deixar de lado os seus preconceitos — a favor ou contra — e a tentar avaliar se poderia eventualmente, hipoteticamente, vir a ser um dia possível inventar motores espaciais radicalmente diferentes dos actuais, que tornem as viagens interesterales ou intergalácticas praticáveis. Haverá maneira de criar novos sistemas de propulsão, totalmente inéditos do ponto de vista físico, capazes de converter a energia presente no vácuo do espaço directamente em força motora, dispensando assim o combustível?


Marc Millis, da NASA, que de 1996 a 2002 dirigiu o programa Breakthrough Propulsion Physics daquela agência espacial — criado justamente para estudar sistemas de propulsão “revolucionários” que por inerência necessitariam de um avanço fundamental na área da Física para se tornarem realizáveis —, é um deles. Millis é uma autoridade mundial em métodos de propulsão avançados e investigou, quando a NASA financiava aquele projecto, a possibilidade de desenvolver sistemas ditos de propulsão espacial (space drives), que utilizariam “as propriedades fundamentais da matéria e do espaço para criar a força motora, prescindindo assim de transportar e utilizar carburante”, lê-se no site da NASA. Coisas com nomes estranhos como “propulsão diamétrica”, “propulsão disjuntiva”, “vela diferencial”. Solicitado por email, Millis expôs as suas convicções pessoais: “Independentemente do c facto de sabermos se a Humanidade conseguirá ou não viajar para as estrelas”, disse-nos, “é imperativo tentarmos fazê-lo. No longo prazo, é a sobrevivência da Humanidade que está em jogo. Temos de nos preparar para o dia em que a Terra se tornar inabitável. Sabemos que a nossa espécie se vai extinguir dentro de mil milhões de anos, mas entretanto os riscos de sermos atingidos por um asteróide, de erupções cataclísmicas, do aquecimento global, de guerra, etc., podem aproximar o fi m. Não enfrentar o problema seria socialmente irresponsável. Quanto ao curto prazo, vamos aprender mais coisas a tentar resolver o problema do que a não fazer nada.” E acrescenta ainda: “Devo dizer que acho o tema muito atraente. Isto é que são as coisas fascinantes, muito mais interessantes que o desporto.”


Mais depressa que a luz


Mas o que dizer da duração das viagens? Para ultrapassar este outro grande obstáculo, seria preciso atingir velocidades de cruzeiro muito mais elevadas — e, idealmente, superiores à da luz. Só que, para isso, será preciso contornar o limite teórico da velocidade da luz (a teoria de Einstein estipula que nada consegue deslocarse mais depressa), mexendo directamente no próprio tecido, na estrutura do espaço-tempo, para fazer avançar as naves. Um desses sistemas de propulsão, totalmente hipotético, que cientistas como Millis estão a estudar, é o chamado warp drive, que consiste em comprimir o espaço-tempo à frente de um objecto e expandi-lo detrás, fazendo com que seja o próprio espaço-tempo a deslocar-se, arrastando a nave com ele. Assim, dentro da sua “bolha” de espaço- tempo local, a nave continuaria a andar a velocidades inferiores à da luz, o que é compatível com a teoria de Einstein — mas, acrescentada à velocidade da “bolha”, a sua velocidade acabaria por ser superior à da luz (numa espécie de efeito “tapete rolante”, segundo a expressão do próprio Millis). A ideia provém, por incrível que pareça, da famosa série televisiva Star Trek, onde um sistema semelhante permite que a nave Enterprise percorra distâncias inimagináveis num piscar de olhos. Uma outra forma de viajar mais depressa do que a luz consistiria em aproveitar os chamados wormholes, hipotéticos “túneis” que funcionam como atalhos, ligando entre si dois pontos do espaçotempo muito afastados um do outro.


Muito recentemente, Millis publicou, em coautoria com Eric Davis, do Instituto de Estudos Avançados de Austin, um compêndio de cerca de 700 páginas intitulado Frontiers of Propulsion Science, que faz o ponto científi co da situação. Numa entrevista à revista Wired em Maio, afi rmava a propósito do livro que, “tendo visto vários investigadores a defrontarem-se com o desafi o dos voos espaciais revolucionários, tornou-se claro que a comunidade precisava de uma obra de referência sobre o estado e as oportunidades da investigação. Havia demasiado ‘ruído’ e pouco ‘sinal’; era óbvio que os aspectos facilmente exploráveis, em termos sensacional i s t a s , d a pesquisa em torno dos voos interestelares estavam a difi cultar a comunicação dos aspectos mais sérios por detrás dos trabalhos”.


Segundo Millis, é preciso dedicar mais esforços à tarefa de interligar os resultados de qualidade, publicados em revistas científi cas sérias, mesmo que sejam muito modestos e prestar menos atenção a resultados mais sensacionalistas que, para ele, não passam de “campanhas de marketing”. É essencial ligar os “objectivos ideais” dos voos interestelares aos “pormenores físicos reais”. Só desta forma é que, no seu entender, talvez seja possível um dia construir naves interestelares que tornem as viagens praticáveis. Uma atitude razoável, que consiste em admitir que o que se pretende poderá ser completamente descabelado, mas que não é por isso que devem ser abandonadas a metodologia e a objectividade intelectual que caracterizam o método científi co. “O que temos de fazer hoje”, diz-nos ainda, é abordar as questões mais cruciais para desbravar o caminho para futuros progressos. O simples facto de determinar as ‘melhores’ questões já representa em si um desafio.”


“The right stuff ”


Podemos também perguntar: será que, do ponto de vista humano, existe uma right stuff para este tipo de viagens? Há ou haverá um dia pessoas dispostas a empreender uma viagem que provavelmente será “só de ida”, pelo menos numa primeira fase? “Não há uma resposta simples para esta pergunta”, frisa Millis. “As implicações sociais são demasiado gigantescas. Acho que haveria suficientes pessoas interessadas num viagem só de ida, mas gostava de ver os resultados de um inquérito sobre esta questão.” Uma coisa que Millis acha que poderia suscitar um entusiasmo renovado pelas viagens interestelares seria a descoberta de um planeta semelhante ao nosso num outro sistema solar: quando isso acontecer, “as pessoas vão começar a perguntar ‘como é que vamos lá?’”


Seja como for, é um facto que existe uma alternativa mais comportável, a todos os níveis, às viagens tripuladas. Essa alternativa consiste em enviar para estrelas e galáxias distantes sondas como as Voyager, Pioneer e outras, cada vez mais sofi sticadas, capazes de recolher dados, efectuar experiências e comunicar os seus resultados à Terra (tais respostas só chegariam dentro de milhares de anos, claro). Estas duas aventuras — a humana e a robotizada — não se excluem mutuamente; pelo contrário, são consecutivas. “É só uma questão de etapas”, diznos ainda Millis. “Logicamente, as viagens tri puladas deverão acontecer muito tempo depois das missões de sondas robotizadas, que por sua vez deverão acontecer muito tempo depois de terem sido feitas, muito metodicamente, muitas observações do espaço longínquo.”


No fundo, já é possível “viajar” para mundos distantes de forma virtual, olhando ao pormenor para os confins do Universo, graças a potentes telescópios como o Hubble e o Kepler e a observatórios espaciais como os satélites Herschel e Planck, lançados em Maio pela agência espacial europeia ESA. De facto, a primeira etapa da grande aventura da exploração do espaço já está em curso.


O envio de sondas para locais muito longínquos permitiria ultrapassar, pelo menos em parte, um outro grande obstáculo material à exploração de estrelas e galáxias: o do dinheiro necessário para financiar tais empreendimentos. “O custo actual das viagens interestelares é muitíssimo elevado, excepto para os engenhos muito pequenos”, diz-nos por email Timothy Ferris, ex-jornalista, autor de livros e fi lmes sobre o Universo — e que é também o homem por detrás da escolha do conteúdo dos célebres “discos dourados”, que incluem música, sons e imagens da Terra e que foram enviados para o espaço há 30 anos, a bordo das sondas Voyager, como mensagem para um eventual encontro com uma civilização extraterrestre avançada. “Esta situação poderá alterar-se no futuro graças aos progressos tecnológicos ou às economias emergentes (este segundo elemento costuma ser subestimado). Não pretendo saber quais serão as tecnologias disponíves dentro de séculos.” Ferris também não duvida, nem por um instante, de que um dia, muito longínquo, os humanos hão-de conseguir viajar para as estrelas e para as galáxias.


Quanto a Millis, como já se percebeu, ele não rejeita a ideia de que a ficção científica possa servir de inspiração à investigação científi ca. “Gosto do poder imaginativo da fi cção científi ca”, responde-nos. “Acho que é ao mesmo tempo uma fonte de inspiração e uma ferramenta para a geração de ideias radicalmente novas. E isso vale mesmo quando as descrições fi ccionais não fazem sentido, porque estimula o raciocínio e a vontade de perceber como é que as coisas poderiam realmente funcionar.” De facto, a fi cção científi ca é, por enquanto, para o comum dos mortais, a melhor maneira de viajar para outros mundos, do outro lado do Universo. Confortavelmente instalados(as) num sofá, entregues ao sonho.

 

To commemorate the 40th anniversary of Apollo 11, NASA released partially restored video of a series of 15 memorable moments from the July 20 moonwalk.This is a clip of Buzz Aldrin following Neil A...

Ver:

CBS News - Apollo 11 Moon Landing, July 1969 - part 1!!:

CBS News - Apollo 11 Moon Landing, July 1969 - part 2!!:

 

Man On The Moon - Apollo 11 - Cronkite Broadcast Pt1:

Man On The Moon - Apollo 11- Cronkite Broadcast Pt2:

Man On The Moon - Apollo 11- Cronkite Broadcast Pt3:  

Man On The Moon - Apollo 11- Cronkite Broadcast Pt4:

Man On The Moon - Apollo 11- Cronkite Broadcast Pt5:

Man On The Moon - Apollo 11- Cronkite Broadcast Pt6:

sábado, 18 de julho de 2009

Lulas gigantes invadem a costa da Califórnia

In "I online":

Pode ser do aquecimento global, que está a levar à escassez de alimento, ou pode ser da redução do número de predadores naturais, que facilitam a sobrevivência da espécie, mas o facto é que os turistas e habitantes de San Diego, na Califórnia, estão com os dias de praia dificultados. Isto porque milhares de lulas gigantes invadiram aquela costa e estão a amedrontar toda a gente. As lulas-de-humboldt, geralmente encontradas nas águas profundas do México, podem medir até 1,5 metros e pesar até 45 quilos, sendo famosas por atacar humanos. Segundo a BBC Brasil, os animais estão distantes da beira-mar, mas a presença pouco comum da espécie nas praias causou receio entre os banhistas e preocupação entre os especialistas da vida marinha, que acreditam que a Califórnia se possa tornar numa residência permanente para a população de lulas.

A rare invasion of jumbo flying squid, also known as Humboldt squid, is putting the diving community on edge just north of San Diego. Some divers are being more careful going in the water because of the carnivorous squid. (July 16)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Bateria de Lítio e Ar

In "ELEKTOR.com":

Um novo tipo de bateria alimentada a ar, mas com capacidade para armazenar até 10 vezes mais energia do que as disponíveis actualmente. 090701171721_oxlithbatterysmall_resized_200x0

Este aumento da capacidade é devido à adição de um componente que usa o oxigénio do ar durante a descarga, substituindo um constituinte químico usado nas baterias recarregáveis actuais. Não tendo de transportar os químicos na bateria oferece mais energia para o mesmo tamanho.

A célula STAIR (St Andrews Air), deverá ser também mais barata do que as baterias recarregáveis actuais. O novo componente é feito de carbono poroso, que é muito menos dispendioso do que o óxido de cobalto e lítio que substitui.

Este projecto de investigação tem por base a descoberta pela universidade de que a interacção dos componentes de carbono com o ar pode ser repetida, criando um ciclo de carga e descarga.

Ver:

Air-fuelled Battery Could Last Up to 10 Times Longer

sábado, 4 de julho de 2009

Casa do futuro

Habitação tem o melhor da tecnologia doméstica

Ver:   FalarGlobal SIC NOTÍCIAS

Ciberguerras - CyberWar

Ataques podem causar danos irreversíveis em pontos estratégicos:

Ver: FalarGlobal SIC NOTÍCIAS

Livro: CYBERWAR o Fenómeno, as Tecnologias e os Actores:

Conteúdo:
. Caracterização do Cibercrime
. Viagem ao Mundo dos Hackers e Insiders
. Anatomia das Redes Informáticas
. O Ciberterrorismo
. O Cyberwarfare
. Os Meandros da Web 2.0
. Técnicas utilizadas pelo Cibercriminoso
. Profilaxias de Segurança dos Sistemas de Informação
. A Investigação Policial do Meio Digital e a Respectiva Moldura Legal

Ver também:

Internet’s Anonymity Makes Cyberattack Hard to Trace

A nova guerra fria joga-se na internet:

Milhões e milhões são gastos a responder ou a reparar os estragos feitos por ciberataques. Os mais usuais são a espionagem, a replicação de vírus e a recusa de serviço. Este último foi o tipo de ataque sofrido, a 4 deste mês, por quase três dezenas de 'sites' dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

Portugal deu luz verde à lei do cibercrime

Ciberguerra: Perguntas & Respostas

Os casos de espionagem que fizeram história:

Amantes, agentes duplos, envenenamentos. A espionagem usava de tudo um pouco, antes de ter acordado para as potencialidades da Internet.

Actualização em 22-07-2009:

Ver:

Cibersegurança: as pessoas são o "elo mais fraco":

Qualquer utilizador que não tenha uma boa protecção antivírus está hoje sujeito a que o seu computador fique infectado. O malware chega de toda a parte e em todos os formatos: por mail através de spam, pela Web (com particular incidência através das redes sociais) em formato de popup windows com ficheiros executáveis. Muitos deles até chegam através de páginas que anunciam antivírus mais baratos.

Actualização em 29-09-2009:

Cibercrime: polícias de 13 países encontram-se na Corunha para definir estratégias:

Representantes de órgãos policiais de treze países especializados em investigação da criminalidade informática, entre os quais Portugal, reúnem-se a partir de hoje na cidade espanhola da Corunha para partilhar experiências no VI Fórum Iberoamericano de Ciberpolícias.


O fórum foi apresentado hoje por um dos responsáveis do Grupo de Delitos Telemáticos da Guarda Civil espanhola, tenente-coronel José Berrocal, que adiantou que entre os crimes mais habituais na Internet a pornografia infantil é o que mais alarme social gera, enquanto as fraudes no comércio electrónico são o delito com maior incidência.


Por sua vez, o comandante Juan Salón, da mesma unidade da Guarda Civil espanhola, lembrou ser “praticamente impossível” determinar a incidência de um crime cometido na Internet. Segundo referiu, o aumento dos crimes é proporcional, “até um certo ponto exponencial”, ao aumento dos utilizadores da Web.


O objectivo do fórum, onde participam representantes de Portugal, Espanha, México, Equador, Venezuela, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Colômbia, Argentina, Chile, Brasil e Peru, é impulsionar canais de comunicação entre as diferentes unidades de investigação que investigam crimes informáticos que permitam uma troca e partilha de experiências e ajudas técnicas mais fluidas.


As experiências na investigação das diversas formas de criminalidade em rede, como a pornografia infantil, fraudes e piratearia em rede, serão outros dos assuntos abordados.

sábado, 27 de junho de 2009

Avião que funciona a energia solar

In "PUBLICO.PT":

Avião que funciona a energia solar dia e noite apresentado hoje na Suíça

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O Solar Impulse é tão leve como um carro médio de 1500 quilogramas mas tem uma envergadura de 61 metros. O avião, que trabalha só a energia solar de dia e de noite, foi apresentado hoje em Duebendorf, na Suíça.


O suíço Bertrand Piccard, a cabeça do projecto do protótipo, já fez a volta ao mundo num balão de ar quente em 1999 e quer repetir o feito em 2012 com o sucessor do Solar Impulse. “Ontem foi um sonho. Hoje é um avião. Amanhã vai ser um embaixador das energias renováveis”, disse hoje Piccard aos jornalistas durante a conferência na cidade perto de Zurique.


O HB-SIA tem 24 mil células solares ligadas a baterias com alta eficiência, que permitirão acumular energia vinda do sol para o avião poder continuar a trabalhar durante a noite. “Se uma aeronave é capaz de voar de dia e de noite sem combustível, impulsionada simplesmente pela energia solar, ninguém poderá dizer que é impossível de se fazer o mesmo com veículos a motor, sistemas de ar condicionado ou de aquecimento e computadores”, acrescentou.


Para além da tecnologia solar, o protótipo com quatro motores tem características aerodinâmicas inovadoras como materiais muito resistentes e leves, que são capazes de suportar pressões a grandes altitudes.


Os primeiros testes vão ter lugar ainda este ano, em 2010 será feita a primeira viagem nocturna pela Suíça. O passo seguinte será a construção do HB-SIB, que será ainda maior e vai permitir a Piccard e ao companheiro e piloto Andre Borschberg fazerem a volta ao mundo. A viagem terá entre 20 e 25 dias e será feita em cinco fases, cada uma com uma duração de vários dias.

Esta apresentação sucedeu-se depois de seis anos de trabalho que envolveu 50 engenheiros e técnicos. O projecto de 70 milhões de euros teve o apoio do Deutsche Bank, da marca de relógios Omega e da empresa química Solvay.


“O sucesso real do Solar Impulse será ter milhões de pessoas a seguir o projecto, a serem entusiastas e a dizer ‘se eles conseguiram pô-lo a viajar à volta do mundo com energias renováveis, então nós deveremos conseguir fazê-lo no nosso dia a dia’”, defendeu Piccard à BBC News.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Beber vinho tinto dá mais cinco anos de vida

In "DN - Ciência":

Boas notícias para o sexo masculino: os homens que beberem vinho tinto – com moderação – podem prolongar a sua vida por uma média de cinco anos, ao mesmo tempo que reduzem os riscos de ataque cardíaco.

A conclusão é de um estudo da universidade de Wageningen, na Holanda, cujos resultados foram publicados no Journal of Epidemiology and Community. Os investigadores analisaram o estilo de vida e consumo de álcool de 1373 homens nascidos entre 1900 e 1920, cuja saúde foi seguida entre 1960 e 2000.

Através dos dados recolhidos, descobriram que se o consumo diário não ultrapassar os 20 gramas de qualquer tipo de bebida alcoólica, os homens conseguem prolongar a sua vida em mais dois anos, relativamente aos que não consomem álcool.

Outra descoberta importante foi que os indivíduos do sexo masculino que bebem apenas vinho, sobretudo tinto, e menos de meio copo por dia, vivem em média mais dois anos e meio dos que bebem cerveja e mais cinco anos do que os abstémios.

Divagar estimula o cérebro

In "DN - Ciência":

Contrariamente às ideias recebidas, divagar estimula o cérebro em vez de o tornar mais lento, permitindo assim resolver problemas complexos, defende um novo estudo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Actividade dos neurónios durante o sono ajuda a memória

In "DN - Ciência":

A actividade dos neurónios que se regista durante a fase do sono profundo desempenha um papel importante na hora em que a memória guarda certos comportamentos aprendidos durante o dia, indica um estudo.

A pesquisa foi publicada na revista científica "Nature".

Uma equipa dirigida pela professora do "Collège de France", de Paris, Sidney Wiener, demonstrou que a actividade registada no córtex pré-frontal médio reproduz-se de forma similar ao que decorre no hipocampo, área vital na formação da memória e na recuperação de dados.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores observaram a actividade dos neurónios de um grupo de ratos que tentava escapar de um labirinto onde haviam sido introduzidos.

Posteriormente, registaram a actividade dos neurónios dos roedores durante o sono, uma vez que haviam aprendido o caminho a seguir para sair do labirinto, comprovando que durante o sono a mente dos ratos continuava activa, a recordar o conhecimento adquirido.

Este estudo, segundo a "Nature", é o primeiro que centra a atenção na actividade do córtex pré-frontal médio na hora de guardar a memória de uma pessoa.

CSR.

Lusa

Ver também:  Sono limpa cérebro para dar lugar a novas informações

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Via Láctea é maior, mais densa e mais veloz do que se pensava

In "SIC Online":

Cientistas norte-americanos descobriram que a Via Láctea é 15% maior em largura, 50% mais densa e gira a uma velocidade quase 15% maior do que se pensava anteriormente. Estes dados foram apresentados por investigadores do Obervatório Nacional de Rádio e Astronomia e do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian numa reunião da Sociedade Americana de Astronomia realizada em Long Beach, Califórnia.

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Choque com Andrómeda

Por ter mais massa e ser mais veloz, tem também maior força gravitacional, sendo por isso maiores as possibilidades de colidir com galáxias vizinhas, como Andrómeda, mais cedo do que se previa, embora ainda a milhares de milhões de anos luz de distância, advertem os investigadores.
"Antes pensávamos que a Andrómeda era dominante e que nós éramos a irmã mais nova", afirmou Mark Reid, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. "Agora é mais provável que sejamos irmãs gémeas".
O facto de as observações científicas serem feitas do interior da galáxia dificulta as medições e o estudo da sua estrutura, o que se torna mais fácil em relação às restantes galáxias.


Antes, o valor das magnitudes da Via Láctea era calculado a partir de medições indirectas, mas os rádio-telescópios VLBA da Fundação de Ciência Nacional dos Estados Unidos já conseguem registar imagens de alta qualidade e fazer medições directas de distâncias e movimentos independentemente de outros factores, como o brilho.
Nas imagens captadas pelos rádio-telescópios, os cientistas localizaram na Via Láctea regiões de profusa criação de estrelas em que as moléculas gasosas aumentam as emissões de rádio.
Essas áreas servem de marcas brilhantes para o rádio-telescópio, o que permite determinar os movimentos tridimensionais dessas regiões, que na sua maioria não seguem um caminho circular à medida que se movem pela galáxia, mas elíptico e a uma velocidade inferior às descritas pelas outras regiões.

 
Foi assim possível calcular que a velocidade a que a Via Láctea gira em torno do seu centro é de cerca de 914.000 quilómetros por hora, 15 por cento mais do que os 791.800 quilómetros por hora que eram aceites como medida durante décadas.
A equipa de investigadores sugeriu também que a galáxia tem quatro braços de gás e pó em espiral em que se formam estrelas, e não dois.

...

O Sistema Solar está a cerca de 28 mil anos-luz do centro da Via Láctea.

Ver:   Astrofísica

Via Láctea 'é maior do que se pensava', dizem cientistas

Via Láctea é mais rápida e mais pesada do que se acreditava

La vertiginosa velocidad de la Vía Láctea

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O que é a maçonaria?

A Maçonaria é em termos gerais uma associação de pessoas que preservam entre si princípios de fraternidade. Além de ocultar os seus conhecimentos na interpretação dos símbolos e emblemas. Os Maçons reúnem-se em Lojas e cada Loja maçónica possui um Líder, que é eleito entre os membros desta Loja, sendo este tratado por Venerável Mestre.

Maçonaria: conheça os mistérios de uma loja maçónica:

Maçonaria - Grande Reportagem:

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Arrefecimento global?

In "Expresso ":

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Afinal, o planeta Terra está a aquecer ou a arrefecer? A pergunta parece disparatada quando a maioria dos estudos científicos aponta para o degelo do Árctico, para o aquecimento global e para causas antropogénicas - o dióxido carbono proveniente das actividades humanas - como explicação para esse aquecimento.

Mas quando fazemos um balanço de 2008, o arrefecimento parece ser a tendência dominante, apesar de as previsões iniciais apontarem para um ano quente. Em Portugal, os dados do Instituto de Meteorologia indicam que o Inverno foi morno, com temperaturas acima da média de 1971-2000. Mas tivemos uma Primavera fria - as máximas em Maio foram as mais baixas dos últimos 15 anos -, um Verão fresco e a neve caiu na serra da Estrela em Outubro, enquanto pelo mundo fora se manifestaram fenómenos anormais. Os piores nevões dos últimos 50 anos bloquearam em Fevereiro dezenas de milhões de viajantes nas celebrações do Ano Novo chinês, provocando o caos em vastas áreas da China. E a neve invadiu Londres em Outubro - o que não acontecia desde 1934. Em todo o caso, há um problema que tem sido desvalorizado. João Corte-Real, o decano dos climatologistas portugueses, resume-o numa frase bem simples: "Estamos ainda longe de compreender completamente a forma como o sistema climático opera e todas as causas responsáveis pela mudança climática."

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A vida surge em ambientes inóspitos para a maioria das espécies existentes na Terra, o que aumenta as hipóteses de que seja encontrada nos planetas gelados do sistema solar.

 

O clima é um dos sistemas mais complexos que existe e depende de uma imensidade de variáveis naturais e humanas, mas por enquanto "falta-nos uma teoria robusta que nos revele como este sistema opera, ou seja, não há uma boa compreensão dos processos climáticos", insiste o professor da Universidade de Évora. Apesar das importantes conquistas científicas das últimas décadas, onde os satélites e os supercomputadores foram instrumentos preciosos, temos de nos contentar apenas com cenários climáticos e com previsões do tempo que começam a apresentar uma margem de erro cada vez maior a partir dos cinco a sete dias.

Mas não confundamos os dois conceitos. O clima é o conjunto de todos os estados que a atmosfera pode ter num determinado local durante um intervalo de tempo longo, isto é, pelo menos 30 anos. O tempo é simplesmente o conjunto das condições meteorológicas num dado local e a sua evolução no dia-a-dia. Incertezas e conceitos à parte, o que nos dizem os nossos cientistas sobre Portugal? João Corte-Real olha atentamente para os últimos estudos e conclui: "Analisando as observações feitas em Portugal Continental, não vejo qualquer mudança de sentido, não noto qualquer tendência para as temperaturas mínimas baixarem ou subirem. Mas temos períodos de frio abaixo da temperatura média." O climatologista refere-se a um estudo feito por Maria Solange Leite, investigadora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e João Andrade Santos, da Universidade de Évora, sobre a evolução das temperaturas mínimas entre 1901 e 2001 em quatro cidades: Montalegre, Porto, Lisboa e Évora.

"Faltam os últimos sete anos nesta investigação, mas não creio que haja qualquer alteração nas tendências verificadas", esclarece ainda o professor catedrático. Outro estudo, desenvolvido por Maria Madalena Vasconcelos (Universidade de Évora) com base nos dados recolhidos desde 1971 em quatro estações meteorológicas no Alentejo (Alvalade, Viana do Alentejo, Sines e Alcácer do Sal), chega sensivelmente às mesmas conclusões.

Filipe Duarte Santos, o professor catedrático de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que tem integrado as delegações portuguesas nas negociações internacionais pós-Quioto, reconhece que "quando falamos de aquecimento global estamos a considerar o conceito de temperatura média global. Só que há sempre alguma variabilidade climática anual que não pode ser prevista por nenhuma metodologia fiável, e 2008 é um bom exemplo deste fenómeno, porque estava previsto como um ano quente mas foi globalmente fresco".

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Na floresta do norte da Suécia, dentro do Círculo Polar Ártico, a temperatura no Verão desceu 0,3 graus nos últimos 1500 anos, segundo um estudo da Universidade de Estocolmo.

 

O académico salienta também que "a temperatura da Terra aumentou 0,7% desde meados do século XIX em termos globais", mas a nível regional ou local a realidade pode revelar-se bem diferente. Foi o que aconteceu na América do Norte entre 1990 e 2000: a temperatura média não aumentou, mas globalmente "subiu bastante no resto do mundo". E há fenómenos naturais a nível local que podem ter um impacto planetário, como a violenta erupção do Monte Pinatubo, nas Filipinas (ilha de Luzon), em Junho de 1991. Tratou-se da segunda maior erupção terrestre do século XX e provocou, ao longo dos cinco anos que se seguiram, uma anomalia negativa de 0,25 graus na temperatura média global da Terra, "que foi bem reproduzida pelos modelos climáticos existentes na altura". Tudo porque o vulcão filipino libertou milhões de toneladas de cinzas e de poeiras que funcionaram como aerossóis na atmosfera, reflectindo a luz solar.

João Corte-Real chama, entretanto, a atenção para dois estudos publicados este ano em conceituadas revistas científicas acima de qualquer suspeita ("Climate Dynamics" e "International Journal of Climatology"), porque não combatem as posições oficiais do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas em que se têm baseado as negociações internacionais sobre o clima. No primeiro estudo, Hakan Grudd, da Universidade de Estocolmo, resolveu analisar os pinheiros milenares que existem nas florestas do norte da Suécia, já dentro do Círculo Polar Árctico. O cientista mediu a largura dos anéis das árvores bem como a densidade da madeira em cada anel, e relacionou, através de técnicas usuais de estatística, os valores obtidos com os registos do clima local, reconstruindo a evolução das temperaturas de Verão na região nos últimos 1500 anos. E a conclusão foi curiosa: durante esse período a temperatura média não subiu, como seria de esperar, mas desceu 0,3 graus.

No segundo estudo, uma equipa de investigadores norte-americanos das universidades de Rochester e da Virgínia foi mais longe: comparou as tendências de temperatura fornecidas por 22 conhecidos modelos de clima em vários níveis da troposfera tropical, com as tendências encontradas através de observações de superfície, por radiossondagens e por satélite. A troposfera é a camada da atmosfera que vai da superfície da Terra até uma altitude de 17 km nos trópicos e de 7 km nos pólos, sendo a sua espessura média de 12 km. A escolha da troposfera tropical para este estudo, que analisou o período de 1979-2004, foi justificada por ser na região dos trópicos que a presença de vapor de água é mais importante.

Da análise comparativa realizada, a conclusão dos cientistas norte-americanos é surpreendente: os 22 modelos de clima considerados - que têm traçado cenários preocupantes quanto ao aquecimento global - "são inconsistentes com as observações feitas", o que significa que "as projecções futuras da mudança de temperatura baseadas nestes modelos são demasiado elevadas".

Numa conferência realizada por Richard Lindzen em finais de Agosto em San Marino (Itália), o conhecido professor de meteorologia e investigador do MIT, autor de um dos capítulos do relatório de 2001 da ONU sobre o aquecimento global, desvendava o porquê deste desfasamento entre a realidade observada e os modelos climáticos: "O desenvolvimento da ciência climática está a decorrer a um ritmo mais lento do que o esperado, porque quando o clima se torna uma componente vital da agenda política, a posição politicamente desejada torna-se mais num objectivo do que numa consequência da investigação científica."

O frio e o gelo estão, aliás, a ganhar uma importância política e geoestratégica crescente. Não por existirem, mas antes por poderem desaparecer, facilitando o acesso a riquezas até agora inexploradas. No Árctico, o jornal francês "Courrier International" chamou-lhe recentemente "a outra Guerra Fria", porque os cenários do aquecimento global estão já a provocar uma corrida ao controlo dos abundantes recursos naturais desta vasta região do Hemisfério Norte - a começar pelas gigantescas reservas de petróleo e gás natural.

E porque alguns modelos científicos apontam para que em 2020-2030 a zona fique totalmente livre de gelo durante o Verão, abrindo-se dois novos corredores estratégicos para a navegação: a Passagem do Noroeste (costa do Canadá) e a Passagem do Nordeste (costa da Sibéria). A primeira encurtaria em 3000 km as ligações marítimas entre a Europa e o litoral oeste da América do Norte, hoje feitas através do canal do Panamá. A segunda pouparia 7000 km nas rotas entre a Europa, o Médio Oriente e a Ásia do Pacífico, que actualmente passam pelo canal do Suez.

Repartida pela Rússia, EUA, Canadá, Dinamarca (Gronelândia) e Noruega, a região não é regulada por qualquer acordo internacional, mas apenas pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982. No dia 20 de Novembro, a Comissão Europeia adoptou uma comunicação sobre a Região do Árctico onde se destacam os efeitos das alterações climáticas e das actividades humanas nesta área do planeta e se definem três objectivos prioritários: proteger e preservar o Árctico, promover o uso sustentável dos seus recursos e contribuir para uma melhor governação multilateral da região. E as declarações sobre o assunto da comissária europeia das Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner, não podiam ser mais claras: "O Árctico é uma região única e vulnerável, situada na proximidade imediata da Europa, e a sua evolução terá repercussões significativas na vida dos europeus durante muitas gerações."

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Campeões do frio (clique na imagem para ver o documento em formato PDF)

A vida no frio

Há animais - a maioria deles micróbios - que vivem e prosperam permanentemente em ambientes muito hostis para a esmagadora maioria das espécies existentes à face da Terra. A ciência deu-lhes um nome curioso: extremófilos. Vivem dentro de rochas geladas, no fundo dos mares sem luz solar, nas bordas das crateras dos vulcões activos, nas fontes hidrotermais dos leitos dos oceanos, em ambientes extremamente secos, ácidos, alcalinos, salinos, radioactivos ou tóxicos. E nos ambientes frios nem sempre são de dimensões microscópicas. No início de Outubro uma equipa de cientistas britânicos e japoneses ficou totalmente surpreendida quando descobriu e filmou, através de um robô-submarino, um cardume de 17 peixes - conhecidos por "pseudoliparis amblystomopsis" - a 7700 metros de profundidade no estreito do Japão, no oceano Pacífico. Esta foi a maior profundidade de sempre a que foram encontrados peixes vivos. O "pseudoliparis" tem um comprimento máximo de 24 centímetros e está adaptado a um ambiente particularmente inóspito: a temperatura não ultrapassa os quatro graus e a pressão da água salgada equivale ao peso de 1600 elefantes sobre o tejadilho de um mini! Deixando os paquidermes e regressando ao mundo microscópico, a descoberta de novas classes de extremófilos na Terra pode aumentar as hipóteses de encontrarmos vida noutros planetas e satélites do Sistema Solar, abrindo os horizontes à Astrobiologia. Em Marte, onde as temperaturas à superfície variam entre os 140 graus negativos e os 20 positivos, poderá ser mais fácil do que julgamos encontrar formas de vida no subsolo gelado (o chamado "permafrost"), apesar de as sondas espaciais até agora enviadas nada terem descoberto. E os 90 graus negativos do oceano de Europa, um dos quatro maiores satélites de Júpiter, talvez não sejam uma barreira intransponível. Em particular se existirem fontes hidrotermais.

O lugar mais frio da Terra

Não, não é na Antárctida que se situa o lugar da Terra onde os termómetros batem todos os recordes (89,4 graus negativos). O campeão indiscutível é o LHC, o novo acelerador de partículas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), em Genebra. A uma profundidade de 100 metros situa-se o gigantesco túnel de 27 km do acelerador, equipado com um sistema de refrigeração a hélio líquido que é mantido a uma temperatura tão baixa - 271,25 graus negativos - que faz a Antárctida parecer um lugar ameno. Os cientistas do CERN costumam dizer, com um certo orgulho, que este é o local mais frio do Sistema Solar, porque está muito próximo do zero absoluto (273,15 graus negativos), a temperatura mais baixa do Universo, onde as moléculas e os átomos têm a menor quantidade possível de energia térmica. A definição do zero absoluto levou mesmo à criação de uma escala onde não há graus negativos, a escala Kelvin, onde o zero corresponde precisamente aos 273,15 graus negativos da escala Celsius que vulgarmente usamos. Isto significa que a temperatura do sistema de arrefecimento do LHC é de 1,9° K (graus Kelvin). Este recorde da ciência europeia está provisoriamente em suspenso, porque o acelerador sofreu uma avaria e, para decorrerem os trabalhos de reparação, foi necessário colocar o sistema de refrigeração do túnel à temperatura ambiente. Mas a partir de Maio de 2009, a maior máquina do mundo voltará a simular os primeiros momentos do Universo, logo a seguir ao Big Bang. E o seu frio extremo irá permitir que os feixes de partículas lançados no acelerador viajem quase à velocidade da luz sem encontrarem resistência.

Texto publicado na edição do Expresso de 29 de Novembro de 2008

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O 25 de Abril foi "a auto-derrota de uma Nação"

In "Expresso ":

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Rui Patrício (à direita), antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, ao lado do embaixador José Manuel Villas-Boas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Marcelo Caetano afirmou que, em 1974, "a situação, interna e externa, estava longe de ser alarmante". Rui Patrício, que vive no Brasil desde o 25 de Abril, sublinhou que nessa altura "o problema essencial não era de política externa, mas de ordem interna". Quanto à descolonização que se seguiu, foi "uma auto-derrota de uma Nação".

Rui Patrício falava num colóquio sobre a diplomacia portuguesa, o quinto do ciclo 'Tempos de Transição. 1968-1974', sobre o marcelismo, e que teve lugar na quarta-feira, 19.

Rui Patrício, que não reconheceu qualquer erro na governação de Caetano, insistiu na tecla das "características específicas da política ultramarina portuguesa", que "não eram tidas em conta" nos areópagos internacionais. Criticou especialmente "o movimento comunista internacional", em que incluiu indistintamente a União Soviética e a China. Quanto à ONU, acusou-a de ter sido "o grande palco da campanha política e mediática contra a presença de Portugal em África".

Neste contexto, disse Rui Patrício, "a tarefa da diplomacia portuguesa era árdua, difícil e diária". Mas, na opinião do ex-ministro, "tínhamos a razão, o consenso, o direito e a equidade".

África fazia parte da "nação portuguesa"

Ao longo de uma hora, Patrício expôs os principais episódios que marcaram a diplomacia portuguesa durante os seis anos do consulado de Caetano. Elogiou Jorge Jardim e referiu-se de passagem aos "contactos que Senghor quis ter com o general Spínola" - que não deixou de criticar, "por ter participado no derrube do regime".

Justificou a invasão da Guiné-Conacry, conhecida por 'Operação Mar Verde', e negou que tenha havido um "ultimato americano" para a utilização da base das Lajes aquando da guerra israelo-árabe. Quanto à Grã-Bretanha, assinalou o "degelo" que então se verificou, traduzida, entre outras iniciativas, na agitada visita de Caetano a Londres.

Rui Patrício rejeitou as críticas sobre "pretensas hesitações e flutuações" da política externa de que foi o principal rosto. Pelo contrário, acentuou, ela foi caracterizada por "uma coerência absoluta e total". E deteve-se, longamente, na justificação da recusa em manter "conversas ou negociações com os chamados movimentos de libertação". Operavam, afinal, em "territórios que constituíam a nação portuguesa".

Embaixador Villas-Boas: "Decisões ad-hoc e precipitadas"

Opiniões bem diferentes foram expressas pelo embaixador José Manuel Villas-Boas. Quando Caetano ascendeu ao poder, em 1968, o país estava, no plano externo, numa posição "desastrada". Pedindo autorização para falar em nome dos diplomatas, disse que, para estes, "a palavra esperança renasceu durante" a primavera marcelista. "Marcelo Caetano sabia que era necessário introduzir reformas na política externa".

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Pormenor da assistência, onde se destacam em primeiro plano André Gonçalves Pereira, Maria João Avilez e Manuel Braga da Cruz.

À época cônsul de Portugal em Milão, mas com acesso directo a Caetano, de quem fora aluno, Villas-Boas afirmou que "a diplomacia do período de transição foi caracterizada por um certo sentimento de angústia", provocado até pela consciência de que "o tempo era curto". Do que resultou "uma aparência de hesitação".

Em 1974, porém, "as coisas corriam já mal. Pelo que as decisões de política externa eram tomadas, às vezes, de forma ad-hoc e quase precipitada". Nesse ano, "a amargura do Presidente do Conselho era evidente".

Comentando o livro 'Portugal e o Futuro', frisou que as teses de Spínola, no sentido do "federalismo", não eram muito diferentes das de Caetano. Este sabia que "a guerra de África não levava a lado nenhum" e que "a única solução era política". No entender do embaixador, "a autonomia progressiva e participada", delineada por Caetano, "era o caminho para as independências".

Negociar com o PAIGC o cessar-fogo e a independência

Villas-Boas contou que Caetano o enviou, como "emissário pessoal", à Costa do Marfim e à República Centro-Africana, para explicar "os detalhes da nova política africana" - um projecto que, de início, também incluía o Senegal. E relatou com pormenor a negociação com o PAIGC, em Março de 1974, em Londres, em que foi emissário do governo português.

"Era necessário obter o cessar-fogo na Guiné"", justificou, ao mesmo tempo que assegurou que o governo o instruíra para "falar de todos os assuntos, incluindo a independência política" da Guiné.

Confrontado por perguntas da assistência, Rui Patrício reafirmou: "Estávamos no caminho certo". Quanto às negociações com o PAIGC, justificou-as com a necessidade que há, em diplomacia, de "ter sempre um plano B".

O embaixador Luís Figueira deteve-se na exposição da diplomacia económica, matéria em que Caetano "apoiou completamente a política anterior".

O colóquio decorreu, como de costume, no anfiteatro da Escola de Belas Artes, em Lisboa. A próxima sessão, a 11 de Dezembro, terá como tema a revisão constitucional de 1973 e está anunciada a participação de Jorge Miranda e Miguel Galvão Teles.

Ver: Veiga Simão demitiu-se três vezes

Marcelo Caetano demitiu-se por três vezes

Portugal viveu "anos dourados"

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Cahora Bassa um ano depois da sua venda a Moçambique

In "Expresso":

O Songo, vila do distrito de Tete em Moçambique onde se encontra sedeada a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), acordou de madrugada para as comemorações do primeiro aniversário da reversão da Barragem para o Estado moçambicano.

Um carregado programa de festejos com diversas inaugurações e o tradicional comício com representantes dos governos central e provincial e altos quadros da Frelimo marcou os festejos.

A inauguração de um sistema de painéis solares, patrocinado pela HCB, na pequena e isolada aldeia de Cabulvacie a cerca de 30 km da Barragem de Cahora Bassa permitiu levar a elctricidade a cerca de 200 pessoas.

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Barragem de Cahora-Bassa - A Entrega - SIC - 27-11-2007:

 

Barragem de Cahora-Bassa - A Entrega - TVI - 27-11-2007:

Ver:   Barragem de Cahora Bassa

CAHORA BASSA - Antes e depois de 1975:

Como é do conhecimento geral a FRELIMO, durante a denominada "luta de libertação nacional" tudo fez para evitar a construção da Barragem de Cahora-Bassa, a quinta maior do mundo, obra que deveria ser orgulho dos portugueses, não só quanto à sua dimensão, como às circunstâncias que rodearam a sua construção.

Hoje, Cahora Bassa produz e transporta electricidade para  Moçambique, República da África do Sul, Zimbabué, Botsuana e, em breve, para o Malwi.

Na sua albufeira, com 270 km de comprimento e até 30 km de largura, são pescadas, diariamente,  toneladas de peixe.

Mais tarde, em 1986, em visita ao local, é descerrada por Samora Machel a placa cuja imagem apresentamos:

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A inscrição:

"Esta maravilhora obra humana do género humano constitui um verdadeiro hino à inteligência, um promotor do progresso, um orgulho para os empreiteiros, construtores e trabalhadores desta fantástica realização.

Cahora Bassa é a matriz do desenvolvimento do Moçambique independente. Os trabalhadores moçambicanos e portugueses, fratrenalmente, juntando o suor do seu trabalho e dedicação, garantem que este empreendimento sirva os interesses mais altos do desenvolvimento e prosperidade da R.P.M.

Moçambicanos e Portugueses consolidam aqui a unidade, a amizade e solidariedade cimentadas pelo aço e betão armado que produziu Cahora Bassa.

Que Cahora Bassa seja o símbolo do progresso, do entendimento entre os povos e da paz no mundo."

Samora Machel - Songo 17 de Setembro de 1986

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O último construtor do Império

Actualização em 30-11-2008:

In "EXPRESSO Assinantes":    A barragem do consenso:

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TRANSFERÊNCIA
Cahora Bassa entra para a Parpública

O Governo português pediu autorização ao Estado moçambicano para transferir os 15% que detém no capital da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). Esta possibilidade estava prevista no âmbito do acordo assinado em 2007 entre os dois países e que permitiu a reversão da barragem de Cahora Bassa para o Estado moçambicano há um ano, desde que fosse uma empresa portuguesa de capitais exclusivamente públicos. O Governo português manifestou já essa intenção ao Executivo de Maputo e foi iniciada a reavaliação em valores de mercado do valor da participação portuguesa na HCB, confirmou o ministro moçambicano da Energia, Salvador Namburete. Nos termos do acordo assinado a 27 de Novembro de 2007, Portugal recebeu 950 milhões de dólares de indemnização do investimento feito na barragem, bem como dos seus juros. Confrontado pelo Expresso, o administrador-executivo Fernando Marques da Costa não quis fazer qualquer comentário sobre a transferência da participação do Tesouro para a holding Parpública.

RECONSTRUÇÃO
Novecentas torres destruídas

Novecentas torres de distribuição de energia ao longo de 1500 quilómetros foram destruídas entre 1984 e 1996 pela guerrilha anti-Frelimo, de acordo com os dados fornecidos pelo ministro da Energia, Salvador Namburete. O responsável avalia em cerca de 130 milhões de dólares o investimento feito na reconstrução das torres e na reabilitação das linhas de transporte de energia. “A HCB nunca foi nacionalizada por ser central para o desenvolvimento do país”, afirmou Salvador Namburete. A infra-estrutura da barragem e central de geração e as linhas são propriedade do Estado moçambicano desde a independência, em 25 de Junho de 1975. “Mas o serviço de geração, transmissão e distribuição de energia tinha sido concessionado a uma empresa privada, a HCB. Uma sociedade que precisava de vender energia para reembolsar os empréstimos feitos para a construção”, salientou o ministro. Salvador Namburete relembra que “mesmo durante a ocupação colonial e a construção da barragem o Presidente Samora Machel nunca quis que a guerrilha da Frelimo atacasse Cahora Bassa”. Samora Machel tinha a noção clara de que a barragem era vital para o desenvolvimento futuro do país. Isto “contra outros partidários, que consideravam que a construção da barragem iria dificultar a travessia do rio Zambeze ao movimento de libertação”.

PONTOS FORTES

800 mil dólares por dia é o valor da electricidade gerada em Cahora Bassa

Cinco turbinas para uma potência de 2075 MW

300 milhões de dólares de receitas por ano

A barragem de Cahora Bassa, no rio Zambeze, é a maior obra de engenharia portuguesa fora de Portugal e o segundo maior aproveitamento hidroeléctrico do continente africano, depois de Assuão

A construção começou em 1969, no âmbito do Plano do Vale do Zambeze

Com 250 quilómetros de extensão e 38 de largura, a albufeira começou a encher em Dezembro de 1974, seis meses antes de Moçambique declarar a independência

Angola 1972-1974

In "ANGOLA DO OUTRO LADO DO TEMPO...":

Em 1972 -1974 Angola era uma Nação próspera praticamente auto-suficiente em tudo. Tínhamos bons quadros técnicos, serviços de saúde pública e privada, indústrias, agricultura, pescas, minérios, petróleo e diamantes enfim tudo o que uma grande nação poderia ambicionar.

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Um sorriso inocente
(foto Net)

Podia-se viajar sem problemas porque a tropa que estava em Angola era mais que suficiente para manter afastados os tais libertadores a soldo das grandes potências e, a prova disso, são as fotografias que podereis ver das minhas viagens ao interior de Angola com a minha família. A viagem que tinha projectado fazer nas próximas férias antes do 25 de Abril seria: Luanda, N'dalatando, Malange, Saurimo, Moxico, Kuito, Huambo, Namíbia, Benguela, Lobito e voltar a Luanda. Infelizmente não passou de um sonho poder voltar a visitar algumas das principais cidades e a beleza da terra que amava e a quem dei os melhores anos da minha vida.

Já não era tão fácil enviar para o exterior o capital das empresas porque havia controle, por isso, havia cada vez mais investimento e a consequente exportação. Havia escolas para todos sem excepção desde o ensino básico até à universidade. Nas repartições públicas os funcionários angolanos pretos e mestiços eram em bem maior número que os brancos. Como em todas as cidades havia os bairros periféricos chamados musseques onde habitavam inclusivamente brancos da classe mais humilde e algumas construções de vários andares como no Prenda onde eu tinha comprado um andar num desses prédios que vedes na fotografia.

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Musseque Prenda- Luanda (foto Era Uma vez...Angola, Paulo Salvador)

Alguns comerciantes instalaram-se nesses musseques para maior facilidade de comercialização dos seus produtos junto dos moradores. Foram esses os primeiros a sofrer as represálias e até a morte pelos camaradas assassinos do MPLA. As principais cidades de Angola como Lobito, Benguela, Huambo, Kuito, Lubango, Uige, etc, tinham praticamente o mesmo desenvolvimento de Luanda embora esta fosse a capital. Havia praticamente emprego para todos mesmo para os menos instruídos. No interior de Angola nas povoações mesmo nas mais afastadas cultivavam-se as lavras em paz e colhiam o suficiente para o seu sustento e ainda para trocar ou vender no comerciante mais próximo adquirindo o que necessitavam. Infelizmente, actualmente não o podem fazer porque existem cerca de 18 milhões de minas anti-pessoais espalhadas por todo o lado que fazem milhares de estropeados, segundo estimativas cerca de 30.000.

Existia já uma classe média e média alta de angolanos de todas origens. Poderia dizer-se que Angola era um país rico e se nessa altura lhe fosse dada a independência, tal como foi dada à África do Sul, hoje Angola seria uma das nações mais ricas da costa ocidental de África. Por isso era cobiçada pelas suas riquezas tanto pelos americanos como pelos russos e outros mais.

"Confrontado com 13 anos de guerra colonial e com pressões do Presidente da República, Américo Tomás, Marcello Caetano que sucedera a Salazar, encorajou várias abordagens aos movimentos de libertação ou alguns dos seus dirigente, nos meses que antecederam a revolução. Aparentemente para fazer sair o país do impasse. Exemplo disso era a visita que planeava fazer a Angola no final de Abril de 1974. Dois meses depois de uma longa conversa com o governador geral."

DN, sexta-feira 27/05/2005. Temas do Dia, Bastidores da Política Ultramarina. Marcelllo Caetano admitiu Angola Independente.

Entretanto aconteceu o 25 de Abril e as intenções de Marcello Caetano infelizmente para o povo Angola e para nós, não se chegaram a concretizar.

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Marcello tinha planos para a independência de Angola para 1974 (foto DN 27/05/2005)

AS REFORMAS ESTILHAÇAM-SE PERANTE O PROBLEMA COLONIAL

"Com o objectivo de consolidar-se no poder e ampliar a sua base de apoio, Caetano aproveitou as eleições de Outubro de 1969 para consultar a população acerca do problema crucial que o regime enfrentava: a questão colonial. Estas eleições foram realizadas com o propósito de garantir-lhe os apoios necessários: tanto a nível interno, reforçando a sua imagem perante os seus pares da ditadura e legitimando a sua autoridade diante da oposição democrática; e, no âmbito internacional, desanuviando o clima de hostilidade a Portugal, país que cada vez mais sofria críticas em todos os fóruns internacionais. Marcelo Caetano sabia que não iria perder as eleições. O seu prestígio pessoal e, sobretudo, a manipulação do escrutínio garantiam a vitória.
Mas, numa perspectiva história, pode dizer-se que as eleições de 1969 foram um fracasso para Marcelo Caetano. Pois, apesar de muitos dos integrantes das listas da União Nacional serem gente nova, ele teve de integrar nelas declarados inimigos seus que, vinte dias depois de inaugurada a legislatura, provocaram uma votação na Assembleia Nacional a favor da política ultramarina iniciada por Salazar.
Os limites do poder de Marcelo Caetano ficaram claros quando teve de enfrentar a ala mais ortodoxa da ditadura, especialmente por causa das divergências sobre o Ultramar. Para Caetano (assim o disse em Setembro de 1970), a permanência em África justificava-se por causa dos portugueses lá instalados e para fazer face aos compromissos internacionais contraídos pelo Governo. Ainda assim, atreveu-se a assinalar que a independência das colónias não significava a perda da nacionalidade, ideia que os ultras do regime consideravam um sacrilégio, já que, para eles, Portugal, sem as colónias, seria devorado pela Espanha. Nesse contexto, em Dezembro de 1970, o presidente do Governo apresentou na Assembleia Nacional um anteprojecto de Revisão Constitucional, com a intenção de encontrar uma via intermédia entre os deputados liberais e os de extrema-direita e realizar as reformas que considerava necessárias. Deste modo, as modificações que Marcelo Caetano introduziu na Constituição de 1933 diziam respeito à estrutura do Estado. Portugal continuava a ser um país unitário, mas passava a ter regiões autónomas com poderes próprios. O resultado da Revisão Constitucional foi discreto e teve a virtude de não agradar nem à direita nem à esquerda".
http://historiaeciencia.weblog.com.pt/arquivo/041708.html

25 de Abril de 1974

"Aos 25 minutos do dia 25 de Abril, a canção de Zeca Afonso era o sinal para o início do movimento revolucionário militar que poria fim à ditadura. A voz do cantor contestatário significava, para quem sabia, que chegara ao "ponto de não regresso" de uma revolução montada em todos os pormenores. Da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, saíram pouco depois efectivos militares, com destino a Lisboa: dois esquadrões, um auto transportado outro de reconhecimento. A coluna sob o comando do capitão Salgueiro Maia, saiu pelo portão da Parada Chaimite, em frente do Jardim da República.

Os oficiais que permaneceram na unidade, liderados pelo major Costa Ferreira, 38 anos, seis comissões de serviço em África, começaram a tomar as disposições necessárias ao que viria a constituir a retaguarda do movimento. A revolta na Escola Prática de Cavalaria iniciara-se, de facto às 21.30 quando o 2º Comandante da unidade, tenente-coronel Sousa Sanches, posto ao corrente de revolução, recusou participar e foi "desactivado"sem grandes problemas. O coronel Augusto da Fonseca Laje, comandante da E.P.C., ausentara-se para Lisboa, por motivos pessoais.

O major Costa Ferreira, em entrevista ao "Diário de Notícias" revelou que o Movimento das Forças Armadas começou a gizar-se em Setembro. Os contactos entre os oficiais revelaram-se extremamente difíceis, sendo necessário recorrer a vários estratagemas. O movimento esteve para concretizar-se a quando da revolta das Caldas da Rainha "e a Escola prática de Cavalaria de Santarém não colaborou apenas por terem surgido dificuldades de ocasião". "No entanto não estava posta de parte a possibilidade do movimento do movimento vir a concretizar-se. Apenas se pretendia encontrar o momento oportuno para isso" – disse, ao redactor do Diário de Notícias, aquele oficial.

O primeiro sinal, "segundo o que estava idealizado" deu-o o locutor dos Emissores Associados de Lisboa, ao anunciar "Faltam 5 minutos para as 23 horas, seguindo-se a canção "E depois do Adeus", interpretada por Paulo de Carvalho. Quando a Rádio Renascença transmitiu a canção de Zeca Afonso, tanto a escola Prática de Cavalaria como em 29 outras unidades militares que apoiavam o Movimento, em toda a Metrópole, se desencadeou a revolução. Os dados estavam lançados.

Em Santarém, patrulhas militares tomaram conta dos pontos estratégicos. O Comandante Militar da cidade, coronel Hugo Leitão, "inteirado do que se passava não opôs quaisquer dificuldades". A população aderiu, de imediato, ao levantamento".

EM LISBOA E NO PORTO A POPULAÇÃO VITORIOU
AS FORÇAS ARMADAS.

"Às quatro da madrugada, o movimento das Forças Armadas dominavam, em Lisboa, os principais órgãos de Poder, enquanto recebia adesões de Norte a Sul da Metrópole. A primeira notícia de revolução foi dada pelo Rádio Clube Português, em poder dos sublevados, que se apoderaram também da Emissora Nacional. Esta transmite contínuos apelos à população para que não saísse à rua e pedia à GNR e à PSP que se rendessem, para evitar o derramamento de sangue. Numa operação perfeitamente sincronizada, grupos militares cercaram os edifícios governamentais, no centro de Lisboa, praticamente dominada quando amanheceu. Militares distribuíam panfletos em que anunciava a finalidade da revolta e as razões desta. A Emissora Nacional recomeçou a funcionar, pouco tempo depois das 8 horas transmitindo o mesmo comunicando que, de 15 em 15 minutos, era difundido pelo Rádio Clube Português, tocando a seguir o Hino Nacional.

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25 de Abril de 1974 (foto DN 3/8/2005)

Forças da Escola Prática de Cavalaria, da Escola Prática de Infantaria (Mafra), do Regimento de Engenharia 1 (Lamego) e do Batalhão de Caçadores 5 dominavam a baixa Lisboeta, enquanto forças de Vendas Novas tomam posições do outro lado do Tejo, em Cristo Rei. Unidades da Marinha de Guerra, que aderiu, desde o princípio, na sua quase totalidade, à revolução, evolucionaram frente ao Restelo.

O total das forças que ocuparam o Terreiro do Paço, o Rossio, a Praça do Comércio e outros pontos estratégicos da Baixa cifraram-se em cerca de 600 homens e 50 autometralhadoras e carros de combate. A população lisboeta aderiu, de imediato à revolução por vezes complicando os movimentos das tropas, que seguiam por toda a parte.

Cerca das 11 horas, saíram do Terreiro do Paço três colunas militares com objectivos específicos. Uma de fuzileiros da Armada dirigindo-se para as instalações da DGS; outra tomou por objectivo o quartel da Legião Portuguesa e a terceira o quartel da Guarda Republicana, ao Carmo. Ali se tinham refugiado o Almirante Américo Thomaz, o Sr. Prof. Marcello Caetano e vários membros do Governo. Helicópteros da Força Aérea, sobrevoam o Quartel".

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25 de Abril de 1974 (foto Notícia. Angola)

"Às 11.40, o Movimento das Forças Armadas afirma, num comunicado, que "domina a situação de Norte a Sul e dentro em pouco chegará a hora da liberdade". O povo de Lisboa, com evidência para a juventude, apesar dos apelos para que não saia de casa, reúne-se até formar multidão no Rossio e na Praça do Comércio, vitoriando as Forças Armadas. Oferecem cigarros, sanduíches e flores aos militares.

Logo no início da rebelião, os aeroportos de Lisboa, Porto e Faro foram encerrados ao tráfego. Ao amanhecer, os barcos estrangeiros surtos no Tejo receberam ordens para levantarem ferro. A fronteira com a Espanha está, também encerrada.

Às 14 horas o movimento militar está praticamente vitorioso em toda a Metrópole. O General Costa Gomes assume a chefia da 2ª Região Militar (Porto), sem encontrar, praticamente, oposição. Em Viseu, o Regimento de Infantaria 14 anuncia a sua adesão à revolta e sai do quartel, para se juntar a outras unidades militares, também sublevadas, que avançam para Sul. Em Coimbra não se vislumbra movimento de tropas.

Apenas, quase por toda a parte, se levantam dois pólos de resistência: a Guarda Nacional Republicana e a DGS., que várias vezes salvaram de "apertos" os regimes de Salazar e de Marcelo Caetano. Da parte do Exército houve um sinal de resistência inicial à sublevação quando o comandante de uma unidade constituída por cinco carros de combate, que tomara posições perto do Rossio, ordenou fogo contra as tropas sublevadas. Não foi obedecido.

Até à 16 horas, o Movimento das Forças Armadas consolida as suas posições. Oficiais da Escola Prática de Cavalaria ocupam o Ministério da Defesa, dominando todo o edifício sem oposição todo o edifício. São presos então os Chefes de Gabinete do Ministro do Exército, General Luz Cunha e do Secretário de Estado da mesma pasta, além de outros oficiais que se mantinham fieis ao regime de Marcello Caetano. O Ministro da Defesa, do Exército, das Corporações e do Interior, que dali tentavam fazer face à revolução, ao verem perdida a esperança de um "volte-face" escaparam por um buraco aberto numa parede.(...).

Os 180 agentes da DGS presos no dia anterior nas instalações da Rua António Maria Cardoso seguiram às 0.45 da madrugada para a prisão de Caxias onde ficaram internados".

In "Notícia", O Jornal de João Charula de Azecedo, Nr.752-Luanda.

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25 de Abril de 1974 (foto DN 4/8/2005)
Diário de Notícias, 4 de Agosto de 2005. 1975 - Verão Quente. O Estado transformou-se no maior conglomerado da Europa ocidental, com grandes, média e pequenas empresas espalhadas pelo País. Para os historiadores, as nacionalizações são a continuidade do peso do Estado na economia herdada da ditadura. Para outros, tratou-se de corte no dinamismo de certos grupos empresariais cujas consequências o País, ainda hoje, está a pagar.

O Estado nacionalizou um terço da economia.

Luis Miguel Viana.

Em 1975, de um momento para o outro, o Estado português viu-se proprietário de 1300 empresas empresas. De alguns potentados industriais, certamente, de empresas de sectores estratégicos para qualquer economia. Mas também de barbearias na baixa de Lisboa, de restaurantes nas maiores cidades, de alguns hotéis, de modestas fábricas de transformação de tomate e de um cortejo muito pitoresco de pequenas e médias empresas espalhadas pelo País vieram ao arrasto da nacionalização dos grandes grupos. Estes, muito dentro do espírito da época, tinham tentado diversificar o mais possível a sua actividade, penetrando em sectores completamente diversos no negócio de origem.

A seguir ao Verão Quente quando terminou o Processo Revolucionário em curso (Prec), o Estado Português tinha-se transformado no maior conglomerado da Europa, no maior grupo empresarial fora dos países de economia planificada. Falou-se num peso de 30% do PIB nacional, cálculos mais recentes apontam para um VAB das empresas públicas sobre o PIB de 19,8% em 1976, contra 24,7% da Itália e 12,0% da França - embora nestes países o Estado não detivesse monopólios de sectores vitais, como a banca. (...) TRADIÇÃO ESTATISTA. Em 1975, no 11 de Março, quando se derrotou o alegado golpe golpe dos spinolistas que permitiu ao PCP empurrar o Governo de Vasco Gonçalves e o Movimento da Forças Armadas (MFA) para a estatização de empresas, Portugal não era uma economia liberal. Pelo contrário: apesar da sua matriz predominantes privada, organizara-se num modelo fortemente condicionado pelo Estado, quer como cliente, quer como regulador, quer, sobretudo, como protector das pressões da concorrência externa.(...)

otelovasco
Documento redigido pelos oficiais moderados do MFA,
com Melo Antunes à frente, apressou a sua queda (foto DN 7/8/2005)

Diário de Notícias, 7 de Agosto de 2005. 1975 - Verão Quente. A 7 de Agosto, há exactamente 30 anos, um grupo de oficiais pertencentes ao Conselho da Revolução entregava ao Presidente da República e fazia distribuir pelo País um documento que denunciava a extrema-esquerda política e militar, abrindo ainda mais fracturas no Movimento da Forças Armadas. Foi um marco decisivo para travar a influência comunista em Portugal. "Segundo justificou Vasco Lourenço, o Documento dos Nove foi um "grito de revolta" destinado a separar o Movimento das Forças Armadas da estratégia comunista".

Documento dos Nove. O diagnóstico de Melo Antunes. ESTADO."Verifica-se a progressiva decomposição das estruturas do Estado. Formas selvagens e anarquizantes de exercício do poder fora-se instalando um pouco por um toda a parte (até no interior das Forças Armadas)." MFA. "O Movimento das Forças Armadas, que inicialmente se havia afirmado como suprapartidário, viu-se cada vez mais enleado nas manipulações políticas de politiqueiras de partidos e organizações de massas, acabando por se ver comprometido com determinado projecto político (do PCP)."

ENONOMIA. "Aproxima-se o momento mais agudo duma crise económica gravíssima, cujas consequências não deixarão de se fazer sentir ao nível duma ruptura, já inicialmente, entre o MFA e a maioria do povo português." DESCOLONIZAÇÃO. " A fase mais aguda da descolonização (Angola) chega sem que se tenha tomado em consideração que não era possível "descolonizar", garantindo uma efectiva transição pacífica para uma verdadeira independência, sem uma sólida coesão do poder político."

COMUNICAÇÃO SOCIAL. "Larga parte dos meios de comunição social (sofre) de um rígido controlo partidário que sobre eles se exerce - particularmente nos nacionalizados -, assistindo-se hoje ao degradante espectáculo da corrida de uma boa parte da população aos noticiários de emissoras estrangeiras sobre o nosso País." SOCIALISMO. "É necessário denunciar vigorosamente o espírito fascista subjacente ao projecto que, dizendo-se socialista, acabará numa ditadura burocrática."

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Último governo de Vasco durou menos de um mês. (foto DN 8/8/2005).

"DN 8/8/2005. 1975 Verão Quente. Logo no momento da posse, o presidente Costa Gomes anunciou ao País que seria um Governo de "passagem". Esta previsão, que deixou estupefacto o primeiro-ministo Vasco Gonçalves, confirmou-se por inteiro: antes do fim do mês, era anunciada a demissão do Executivo. Foi um dos governos mais breves de que há memória em Portugal. E também um dos mais polémicos.

Pedro Correia.

Havia dúvidas? Deixou de haver. No próprio discurso da posse, o presidente da República deixou claro que aquele era um Governo "de passagem". O primeiro-ministro Vasco Gonçalves, que não fora informado desta intervenção do general Costa Gomes, ficou perplexo. E o País testemunhou em directo essa perplexidade através das imagens da RTP. Era a investidura do V Governo Provisório - o último em que o PCP teve uma influência determinante. Faz agora 30 anos.

Este controverso Governo foi de imediato considerado "um nado morto". Por personalidades tão diversas como o lider do PS, Mário Soares, o major Melo Antunes (que liderava a ala moderada das forças armadas) e o secretário-geral do MRPP, Arnaldo Matos. Portugal estava sem executivo desde que os socialistas abandonaram a coligação governamental a 10 de Julho. Seis dias mais tarde, com a saída do PPD, o IV Governo Provisório chegou ao fim. Seguiram-se três semanas de imensas negociações para formação de um novo elenco ministerial. Vasco Gonçalves, que chefiara três Executivos desde Julho de 1974, estava politicamente ferido de morte. Mas recusava sair de cena.

otelocoutinho
Otelo com Rosa Coutinho (foto DN, 8/8/2005)

Socialistas e sociais-democratas desciam diariamente à rua, reclamando um Executivo que reflectisse os resultados eleitorais (no escrutínio para a Assembleia Constituinte, a 25 de Abril, o PS fora a força mais votada, com 38%, seguindo-se o PPD, com 26%). Na cimeira de Helsínquia, em Julho, Costa Gomes escutara severas palavras de líderes europeus contra um regime socialista decalcado do Bloco de Leste. E na véspera da posse do V Governo, nove oficiais que integravam o Conselho da Revolução tinham divulgado um comunicado que denunciava a contínua erosão do poder político e a quebra do tecido social português. (...)"

SAÍDA DE MARCELLO CAETANO

"Marcelo Caetano foi induzido pelos próprios sistemas de segurança a dirigir-se para o Quartel do Carmo, que se transformou no ponto central das operações militares. Ao princípio da tarde, Salgueiro Maia, comandante dos revoltosos no local, dispôs as forças em posição de cerco e preparou-se para a queda do último símbolo do regime. O povo de Lisboa, figurante activo e cada vez mais interveniente, respondia com crescente entusiasmo ao teor dos comunicados transmitidos e aos objectivos políticos do MFA. Do posto do comando, instalado no quartel do Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, o MFA procurou conduzir a acção militar e pôr fim à expectativa.

Entretanto, no próprio Quartel do Carmo, efectuou-se um contacto entre o general Spínola e Marcelo Caetano, ficando deste encontro a expressão deste último ao afirmar que preferia entregar o poder a alguém que lhe desse garantias, em vez de deixar que caísse na rua. De certa forma, formalizou-se neste cenário a queda do governo, com a prisão de Marcelo Caetano e de alguns Ministros.

Ao princípio da noite, o MFA divulgou a sua proclamação, primeiro documento programático preparado antecipadamente e que continha as intenções fundamentais do movimento militar: entrega do Governo a uma Junta de Salvação Nacional, próxima difusão de um programa do MFA, restituição ao povo português das liberdades cívicas e eleição de uma Assembleia Nacional Constituinte".

http://jn2.sapo.pt/secdiv/especial/angola1.htm

MARCELLO CAETANO ENTREGOU A SUA RESIGNAÇÂO AO CAIR DA NOITE

"O Movimento da Forças Armadas emitiu às 20 horas o seguinte comunicado: "O Movimento das Forças Armadas informa que se concretizou a queda do Governo, tenho sua excelência o Prof. Marcello Caetano apresentado a sua rendição incondicional a sua excelência o general António Spínola.

O ex-presidente do Conselho, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e o ex-ministro do Interior encontram-se sob custódia do Movimento, enquanto sua excelência o almirante Américo Thomaz e alguns ex-ministros do Governo se encontram refugiados em dois aquartelamentos que estão cercados pelas nossas tropas e cuja rendição se aguarda para breve.

O Movimento das Forças Armadas agradece a toda a população o civismo e a colaboração demonstrados, de maneira inequívoca, desde o início dos acontecimentos, prova evidente de que ele era o intérprete do pensamento e dos anseios nacionais. Continua a recomendar-se a maior calma e a estreita obediência a todas as indicações que forem transmitidas. Espera-se que amanhã a vida possa retomar o seu ritmo normal por forma a que todos, em perfeita união, consigamos constituir um futuro melhor para o País. Viva Portugal".

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General Spínola, proclamação da Junta de Salvação Nacional.
( foto Prov. Angola 26/04/1974)

PROCLAMAÇÃO DA JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL

"Spínola proclamado Chefe da Nação Portuguesa e Presidente da Junta de Salvação Nacional. É a seguinte a constituição da Junta de Salvação Nacional: general António de Spínola, que preside à Junta; general Costa Gomes; brigadeiro Jaime Silvério Marques; coronel Carlos Galvão de Melo; general Manuel Diogo Neto, ausente da Metrópole; capitão de mar-e-guerra José Baptista Pinheiro de Azevedo e capitão-de-fragata António Alva Rosa Coutinho".

A formação da Junta de Salvação Nacional

Fora inicialmente acordada uma formação em que interviriam seis elementos, um de cada ramo das Forças Armadas. Contudo surgiu a necessidade de integrar um sétimo membro, pois a um deles estaria reservado o cargo de Presidente da JSN acumulando com a função de Presidente da República a título provisório. Tal desempenho estaria reservado a Costa Gomes, cabendo a Spínola a chefia do Estado-maior das Forças Armadas.

A princípio só generais integrariam a Junta por questões de hierarquia. Era fundamental que todos possuíssem estrelas nos ombros para, desde logo, se situarem em plano de igualdade com Spínola não permitindo que a ditadura militar vingasse pela mão deste general.

Spínola não aceitava a participação de qualquer general que tivesse feito parte da Brigada do Reumático. O sétimo elemento escolhido acabou por ser Jaime Silvério Marques. A par deste compunham a Junta Militar: Spínola e Costa Gomes do Exército, Pinheiro de Azevedo e Rosa Coutinho por parte da Armada e Costa Martins e Galvão de Melo em representação da Força Aérea, todos eles exibindo nos ombros as estrelas de general.

MENSAGENS DIRIGIDAS AO POVO DE ANGOLA PELOS GENERAIS ANTÓNIO DE SPÍNOLA E COSTA GOMES.

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(fotos Notícia - Angola)

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Santos e Castro o último Governador de Angola.
(foto Notícia-Angola)

UM GOLPE CAÍDO DO CÉU

"O 25 de Abril surpreendeu tudo e todos em Angola. Luanda vivia a vida cosmopolita de uma capital colonial, e só uma meia dúzia de dias depois, em princípios de Maio, no Zaire e na Zâmbia, os movimentos de libertação reagem ao golpe militar em Portugal, com proclamações de continuação da luta até à independência total. Ironicamente, o golpe em Portugal haveria de conceder-lhes um protagonismo que estavam longe de ter conquistado.

José Gomes

As promessas de continuação da guerra com que o MPLA, a FNLA e a UNITA reagiram ao golpe em Portugal, diga-se em boa verdade, não tiravam o sono a ninguém.

Em 1974, a luta de libertação atravessava um período crítico: o Exército português controlava militarmente todo o território - as operações tinham cessado em 1972 e a livre circulação era um facto.

Após o surgimento, em meados dos anos 60, de actividade militar no interior - O MPLA abre em 66 a Frente Leste, a UNITA ataca Vila Teixeira de Sousa, na fronteira catanguesa, em fins de 65 -, os movimentos encontravam-se minados por profundas crises internas.

Neto mandara fuzilar, dois anos antes, vários comandantes no Leste, após a revolta dos Bundas, e o movimento está recuado na Zâmbia, envolvido num debate interno para a revitalização daquela frente. Chipenda proclamara no ano anterior a cisão, em protesto contra a assinatura, por Neto e Holden Roberto, do inesperado acordo para a criação do Conselho Supremo para a Libertação de Angola.

Mais tarde, já em 74, mas ainda antes do 25 de Abril, virá a surgir uma outra facção, a Revolta Activa, propondo amplo debate para a redefinição da estratégia da luta de libertação.
Pelo lado da FNLA, as coisas não estavam melhores. Apesar de se saber que o movimento, com apoio de Mobutu, estava a formar no Zaire um exército de 9.000 homens, treinado por instrutores chineses e bem armado, Holden Roberto estava precisado de quadros dirigentes. Mandara fuzilar, após a revolta de Kinkuzo, no Zaire, em princípios de 72, dezenas de oficiais do seu Estado-Maior, e vários outros haviam fugido para Brazzaville.

A UNITA encontra-se no interior, abaixo da linha do caminho-de-ferro de Benguela, sem actividade militar conhecida".

http://jn2.sapo.pt/secdiv/especial/angola1.htm

http://pissarro.home.sapo.pt/memorias14.htm


Ver:   Aida Viegas, Abandonar Angola. Um olhar à distância.

Governadores Gerais de Angola

Contornos da guerra em Angola: FACTOS mais RELEVANTES

MOSCOVO QUIS DAR A SAVIMBI A VICE-PRESIDÊNCIA DO MPLA

Angola: do 25 de Abril de 1974 a 11 de Novembro de 1975

Viagem Pela História de Angola

 
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